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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O ser e o nada e sua condição humana

Por: Joilson S. Aguiar, Filósofo e Graduando de Psicologia.      


O homem ao tomar consciência de sua condição humana entra em um estado epiléptico de conflitos de ordem existencial, estado este que se dá por constatar que é um ser constituído de não sentido. Não que seja um ser sem significados. A cultura e a moral cristã sempre se encarregaram desta tarefa árdua de produzir significados para tornar a vida mais saborosa e mais agradável e possibilitar que o homem tenha condições de suportar seu mal- estar eterno.
Diria que esse século é o século que se pós a interrogar todos esses construtos teóricos construídos a longo da história do homem. Melhor dizendo é o século da “transvaloração de todos os valores”. Vivemos uma época de declínio da “autoridade paterna”, da moral, dos valores, da ética e das leis estabelecidas.  
Fomos jogados ao mundo e não temos garantia alguma de ser algo ou alguma coisa ou de nos tornamos o que queremos ser, ao nos tornamos sujeitos. Por meio da linguagem nossa própria língua se torna estranha aos nossos sentidos sensoriais. A sociedade a contaminou com a ideia utópica de mundo ideal e essa é a inversão mais danosa da vida humana, uma higienização grotesca para dar conta do sofrer humano.
O homem insistentemente vive a desejar, goza ao obter satisfações ilusórias, continua a desejar mais e mais em um fluxo inesgotável de insatisfação e frustração sem de fato alcançar o objeto perdido.  Segundo o Psiquiatra e Psicanalista Antonio Quinet, o objeto da satisfação primária é perdido e o sujeito passa toda sua vida buscando reencontra- lo. Esse objeto é a causa do sujeito: e o objeto que causa seu desejo, mas também sua angústia e seus sintomas. Freud diz que esse objeto pode ser reencontrado, mas ao ser reencontrado já é logo perdido, se esvai, escorrega por entre os dedos, por entre as palavras.
A fé medieval retorna como a aurora dos novos tempos, como os ventos do norte para os figos maduros, mas os ventos do norte não movem moinhos e o que resta aos homens são somente gemidos inexprimíveis, advindos de sintomas os quais recusam por se responsabilizar. É claro que a fé religiosa é importante sem ela não mais existiria a humanidade, pois seriamos todos contra todos, mas não é o antídoto para a dor de existir deste sujeito pós-moderno que manca.

O homem pós-moderno é um homem medicado, um homem sintomático e narcotizado por substâncias que momentaneamente lhe proporcionam instantes felizes. Esse sujeito, que ao mesmo tempo em que sofre goza com seus sintomas, o que parece é que ele encontrou uma solução viável para seu problema. Mero engano. As medicações não mudam as significações das subjetivações humanas. O que se pode constatar é que esse sujeito se encontra desprovido de emoções autênticas, até mesmo os infantes são sedados e impossibilitados de se expressarem por meio da linguagem em nosso tempo. O diagnóstico desta sociedade é trágico: uma sociedade deprimida, angustiada que não consegue haver-se consigo mesma, com sua condição de existir no mundo que é constituído de faltas. Numa era em que o homem é acometido pelas mais diversas “doenças” do psiquismo, mais trágico ainda é o prognóstico para as futuras gerações. O que será então?

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